Papo Rápido

Renato Luciano

Quem Ama Cuida e novos shows

Da televisão ao teatro, da música ao audiovisual, sua trajetória é marcada pela liberdade de transitar entre diferentes linguagens sem perder de vista aquilo que une todos os seus trabalhos: a crença de que a arte pode provocar encontros, ampliar perspectivas e transformar pessoas. Em entrevista à REPOST, o artista revisita momentos importantes da carreira, comenta a repercussão de Quem Ama Cuida e fala sobre os projetos que seguem alimentando sua inquietação criativa.

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Fotos: Jonathan Estrela. // Fotos adicionais: Créditos na imagem. // Texto: Bruno Souza / Leila Meirelles. // Entrevista: Bruno Souza.

Embora sua participação em “Quem Ama Cuida” tenha sido breve, o motorista que ajudou a movimentar um dos principais conflitos da novela – ele auxiliou Pilar (Isabel Teixeira) em um plano para separar Adriana (Leticia Colin) e Pedro (Chay Suede) – despertou fortes reações do público. Para Renato Luciano, o impacto do seu personagem foi uma surpresa tão grande quanto gratificante. Na conversa com a REPOST, ele também relembra o apren-dizado de dividir cenas com Isabel Teixeira, experiência que define como uma verdadeira aula de interpretação e que pretende levar para todos os seus próximos trabalhos.

Mas sua trajetória vai muito além da televisão. Fundador da premiada Companhia Barca dos Corações Partidos, Renato também construiu um percurso consistente no teatro, no cinema e na música, com trabalhos como Os Últimos Dias de Gilda, Leo e Bia, Solidões e os álbuns Seu Novo Par, De Toda Cor e Turista do Mundo.

A canção “De Toda Cor”, que integrou a trilha da novela global A Força do Querer, ultrapassou o universo musical e se transformou em uma ferramenta de diálogo sobre diversidade em escolas e projetos culturais por todo o país. Atualmente, a música também vem sendo ouvida nas chamadas de “Por Você”, próxima novela das 7 da TV Globo.

Agora, vive uma fase especialmente intensa da carreira. Além da estreia nacional do espetáculo Tempo das Flores, prepara a chegada do show Leves e Reflexivas, ao lado de Rainer Cadete, reunindo música, poesia e reflexões sobre afeto, memória e relações humanas. Depois de mais de três décadas dedicadas à arte, Renato garante que continua sendo movido pelo mesmo combustível: o desafio de criar histórias capazes de permanecer vivas na memória de quem as encontra.

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Isabel Teixeira e Renato Luciano em cena de ‘Quem Ama Cuida’. Foto: Reprodução / TV Globo.

Seu personagem em ‘Quem Ama Cuida’ apareceu por pouco tempo, mas foi decisivo para os rumos da trama. Como foi descobrir, durante as gravações, que aquele motorista teria um peso tão grande na história e ainda despertaria reações tão intensas do público?

Renato Luciano: É uma experiência única, ainda não havia passado por essa experiência de ter um personagem que tivesse uma força tão grande na trama. Fiquei muito surpreso e feliz. E ainda fico meio impactado com a reação do público, que é sempre muito, muito intensa.

*Você já comentou que contracenar com Isabel Teixeira foi uma verdadeira aula de interpretação. Qual foi o maior aprendizado que levou dessa parceria e que pretende carregar para os próximos personagens?

Renato: A Isabel me obrigava a deixar o personagem sempre vivo, propondo a cada take uma nova intenção. Isso eu levarei para todos os meus trabalhos.

Seu novo espetáculo, ‘Tempo das Flores’, fala sobre natureza, pertencimento e esperança em um momento em que o mundo parece viver tantas divisões. Você acredita que a arte ainda consegue provocar mudanças reais ou hoje ela tem, antes de tudo, a missão de resistir?

Renato: Sim, eu tenho certeza que a arte tem um poder efetivo de transformação real. E é isso que me motiva a fazer arte todos os dias, seja no teatro ou seja na música, como no show “Tempo das Flores”, que realizarei no dia 21 de agosto na cidade de Juazeiro (CE), na Praça Padre Cícero. É um pouco sobre falar de resistência, falar de amor e das transformações que a arte pode causar no nosso dia a dia, no nosso cotidiano.

Leves e Reflexivas, projeto musical de Renato Luciano ao lado de Rainer Cadete. Foto: Beto Roma.

Em setembro, você sobe ao palco ao lado de Rainer Cadete no espetáculo do projeto Leves e Reflexivas. Como nasceu essa conexão entre vocês e o que o público pode esperar desse encontro ao vivo?

Renato: O meu encontro com o Rainer se deu durante a pandemia. Eu já o conhecia da televisão, adorava o trabalho dele. E a gente acabou se aproximando, ele se mostrou interessado em compor e cantar – e depois descobri que ele é um ótimo cantor também. E aí nos aproximamos e foi uma coisa muito natural. A gente se tornou amigo muito rápido e em pouco tempo já tinha gravado nosso disco, Leves e Reflexivas. E a gente vai lançar, agora no dia 6 de setembro, no Blue Note (SP), e todo mundo vai poder conferir isso.

Renato Luciano. Foto: Neitan.

*“De Toda Cor” ultrapassou o universo da música e se tornou ferramenta de diálogo sobre diversidade em escolas e projetos culturais. Em que momento você percebeu que aquela canção já não pertencia apenas a você, mas também às pessoas que passaram a se reconhecer nela?

Renato: Após a veiculação da canção “De Toda Cor ” na novela da Rede Globo, “A Força do querer”, as respostas vieram, simultaneamente, nas redes sociais e na procura pela música para filmes, livros, novelas… Mensagens sobre o quanto a canção havia transformado a mentalidade das pessoas conservadoras, e até mesmo preconceituosas, chegaram aos montes. Isso é muito lindo!

*Depois de mais de três décadas de carreira, o que ainda faz seus olhos brilharem ao aceitar um novo projeto?

Renato: Desafio. O audiovisual tem sido esse lugar agora. Fazer personagens que podem se tornar imortais nas telas. É uma delícia!